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Tendinite da pata de ganso: o que é, prevenção, tratamento

Tendinite da pata de ganso é uma fonte comum de dor na parte interna do joelho, que frequentemente afeta atletas, especialmente corredores, e mulheres acima de 40 anos. Caracterizada por uma inflamação nos tendões que se inserem na tíbia, essa condição pode causar desconforto significativo durante atividades diárias e esportivas.

O que é a pata de ganso

A pata de ganso, também é conhecida na literatura médica como tendinite da pata anserina é uma estrutura anatômica crucial localizada na rotação interna do joelho, especificamente cerca de cinco centímetros abaixo da linha da articulação.

Ela é formada pela convergência dos tendões de três músculos da coxa: o sartório, o grácil e o semitendíneo. O nome peculiar, “pata de ganso”, deriva justamente da aparência que esses três tendões unidos criam, lembrando a membrana interdigital do pé de um ganso.

Esses três músculos desempenham funções essenciais: eles são flexores do joelho (ajudam a dobrar a perna) e também são importantes rotadores internos da tíbia. Além disso, atuam como estabilizadores dinâmicos, protegendo a articulação do joelho contra estresses em valgo (quando o joelho se desvia para dentro).

No mesmo local encontra-se a bursa anserina, uma pequena bolsa cheia de líquido que tem a função de amortecer o atrito entre os tendões e o osso. Muitas vezes, o processo inflamatório atinge tanto os tendões quanto a bursa, caracterizando uma tendinobursite.

Sintomas da tendinite

Reconhecer os sintomas da tendinite da pata de ganso é o primeiro passo para buscar ajuda adequada. O sintoma cardinal é uma dor na região interna e ligeiramente inferior do joelho. Esta dor é tipicamente descrita como profunda, podendo ser pontual ou mais difusa.

  • A dor costuma piorar significativamente com movimentos específicos que tensionam os tendões, tais como:
  • A ação de subir e descer escadas.
  • Levantar-se de uma cadeira baixa ou do sofá.
  • Agachar-se.
  • Praticar atividade física de impacto, como correr, especialmente em terrenos irregulares ou com treinos de longa distância.

Em alguns casos, pode haver um leve inchaço ou sensibilidade ao toque na área afetada.

É importante destacar que a dor pode surgir de forma gradual em atletas ou de forma mais aguda após um aumento repentino na intensidade ou volume dos treinos.

Fatores de risco para tendinite

A tendinite da pata de ganso é classicamente uma lesão por sobrecarga. Ela surge principalmente de esforços repetitivos que causam microtraumas nos tendões. A biomecânica inadequada durante a corrida ou outras atividades é um fator chave.

Por exemplo, corredores com uma pisada muito pronada (pé que desaba para dentro) ou com fraqueza nos músculos do quadril e glúteos tendem a sobrecarregar os músculos sartório, grácil e semitendíneo na tentativa de estabilizar o joelho, levando à inflamação.

Além do esforço repetitivo, alguns fatores de risco são bem estabelecidos:

  • Gênero e Idade: É mais comum em mulheres, especialmente acima dos 40 anos. Isso se deve, em parte, a diferenças anatômicas, como uma bacia mais larga que pode predispor ao alinhamento em valgo dos joelhos.
  • Obesidade e Sobrepeso: O excesso de peso aumenta a carga e o estresse sobre os membros inferiores.
  • Condições Associadas: Pacientes com osteoartrite (artrose) no joelho, diabetes, artrite reumatoide ou pés chatos têm maior predisposição.
  • Desequilíbrios Musculares: A falta de fortalecimento adequado da musculatura da coxa e do quadril é um fator crucial, principalmente para atletas.

Diagnóstico de tendinite da pata de ganso

O diagnóstico começa sempre com uma avaliação clínica minuciosa feita por um médico ortopedista especialista em joelho. Durante a consulta, o médico irá ouvir a história do paciente, investigando a natureza da dor, atividades que a desencadeiam e fatores de risco.

No exame físico, ele irá palpar a área da pata de ganso para identificar pontos de dor específicos e realizar movimentos que reproduzam o desconforto.

Embora o diagnóstico possa ser fortemente sugerido durante do atendimento, o exame de ressonância magnética é considerado a ferramenta mais precisa para a confirmação.

A ressonância magnética permite visualizar com clareza não apenas a inflamação e o edema nos tendões e na bursa, mas também é fundamental para afastar outras patologias que causam dor na mesma região, como:

Portanto, a ressonância é fundamental para um diagnóstico diferencial preciso e para guiar o plano de tratamento mais adequado.

Tratamento: do conservador às infiltrações

A boa notícia é que a maior parte dos casos sobre a tendinite da pata de ganso têm resposta positiva ao tratamento conservador (não cirúrgico). O objetivo é aliviar a dor, reduzir a inflamação, corrigir as causas biomecânicas e restaurar a função completa.

Tratamento inicial e medicamentoso

Na fase aguda, o foco é no controle dos sintomas. O médico pode recomendar um período de repouso relativo, evitando as atividades que provocam dor. A aplicação de gelo local é útil para reduzir a inflamação e a dor.

O uso de anti-inflamatórios não esteroides (por via oral ou tópica) pode ser prescrito por um curto período para ajudar a controlar o processo inflamatório.

Fisioterapia: o pilar da recuperação

A fisioterapia é a base para uma recuperação duradoura e para prevenir recidivas.

Infiltrações e tratamentos avançados

Nos casos que não respondem adequadamente à fisioterapia e ao tratamento inicial, o médico pode considerar a infiltração (injeção) local. As opções incluem:

  • Corticoides: Potentes anti-inflamatórios que podem aliviar a dor e a inflamação rapidamente. Seu uso é criterioso, devido a possíveis efeitos colaterais nos tendões com aplicações repetidas.
  • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Uma terapia biológica que utiliza os fatores de crescimento do próprio sangue do paciente para estimular a regeneração e reparação do tecido tendíneo. Tem sido uma opção cada vez mais utilizada para tendinopatias crônicas.

A prevenção da tendinite da pata de ganso está intimamente ligada à correção dos fatores de risco. Manter um peso corporal adequado, alongar regularmente a musculatura posterior da coxa e, principalmente, fortalecer a musculatura do quadril e do core são medidas fundamentais.

Para atletas, é crucial ter um programa de treinamento progressivo, evitando aumentos abruptos de volume ou intensidade. Avaliar a técnica de corrida com um profissional especializado e usar calçados adequados também são passos importantes.

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