Dr. Fabricio Severino

Tendinite da pata de ganso: o que é, prevenção, tratamento

Tendinite da pata de ganso é uma fonte comum de dor na parte interna do joelho, que frequentemente afeta atletas, especialmente corredores, e mulheres acima de 40 anos. Caracterizada por uma inflamação nos tendões que se inserem na tíbia, essa condição pode causar desconforto significativo durante atividades diárias e esportivas.

O que é a pata de ganso

A pata de ganso, também é conhecida na literatura médica como tendinite da pata anserina é uma estrutura anatômica crucial localizada na rotação interna do joelho, especificamente cerca de cinco centímetros abaixo da linha da articulação.

Ela é formada pela convergência dos tendões de três músculos da coxa: o sartório, o grácil e o semitendíneo. O nome peculiar, “pata de ganso”, deriva justamente da aparência que esses três tendões unidos criam, lembrando a membrana interdigital do pé de um ganso.

Esses três músculos desempenham funções essenciais: eles são flexores do joelho (ajudam a dobrar a perna) e também são importantes rotadores internos da tíbia. Além disso, atuam como estabilizadores dinâmicos, protegendo a articulação do joelho contra estresses em valgo (quando o joelho se desvia para dentro).

No mesmo local encontra-se a bursa anserina, uma pequena bolsa cheia de líquido que tem a função de amortecer o atrito entre os tendões e o osso. Muitas vezes, o processo inflamatório atinge tanto os tendões quanto a bursa, caracterizando uma tendinobursite.

Sintomas da tendinite

Reconhecer os sintomas da tendinite da pata de ganso é o primeiro passo para buscar ajuda adequada. O sintoma cardinal é uma dor na região interna e ligeiramente inferior do joelho. Esta dor é tipicamente descrita como profunda, podendo ser pontual ou mais difusa.

Em alguns casos, pode haver um leve inchaço ou sensibilidade ao toque na área afetada.

É importante destacar que a dor pode surgir de forma gradual em atletas ou de forma mais aguda após um aumento repentino na intensidade ou volume dos treinos.

Fatores de risco para tendinite

A tendinite da pata de ganso é classicamente uma lesão por sobrecarga. Ela surge principalmente de esforços repetitivos que causam microtraumas nos tendões. A biomecânica inadequada durante a corrida ou outras atividades é um fator chave.

Por exemplo, corredores com uma pisada muito pronada (pé que desaba para dentro) ou com fraqueza nos músculos do quadril e glúteos tendem a sobrecarregar os músculos sartório, grácil e semitendíneo na tentativa de estabilizar o joelho, levando à inflamação.

Além do esforço repetitivo, alguns fatores de risco são bem estabelecidos:

Diagnóstico de tendinite da pata de ganso

O diagnóstico começa sempre com uma avaliação clínica minuciosa feita por um médico ortopedista especialista em joelho. Durante a consulta, o médico irá ouvir a história do paciente, investigando a natureza da dor, atividades que a desencadeiam e fatores de risco.

No exame físico, ele irá palpar a área da pata de ganso para identificar pontos de dor específicos e realizar movimentos que reproduzam o desconforto.

Embora o diagnóstico possa ser fortemente sugerido durante do atendimento, o exame de ressonância magnética é considerado a ferramenta mais precisa para a confirmação.

A ressonância magnética permite visualizar com clareza não apenas a inflamação e o edema nos tendões e na bursa, mas também é fundamental para afastar outras patologias que causam dor na mesma região, como:

Portanto, a ressonância é fundamental para um diagnóstico diferencial preciso e para guiar o plano de tratamento mais adequado.

Tratamento: do conservador às infiltrações

A boa notícia é que a maior parte dos casos sobre a tendinite da pata de ganso têm resposta positiva ao tratamento conservador (não cirúrgico). O objetivo é aliviar a dor, reduzir a inflamação, corrigir as causas biomecânicas e restaurar a função completa.

Tratamento inicial e medicamentoso

Na fase aguda, o foco é no controle dos sintomas. O médico pode recomendar um período de repouso relativo, evitando as atividades que provocam dor. A aplicação de gelo local é útil para reduzir a inflamação e a dor.

O uso de anti-inflamatórios não esteroides (por via oral ou tópica) pode ser prescrito por um curto período para ajudar a controlar o processo inflamatório.

Fisioterapia: o pilar da recuperação

A fisioterapia é a base para uma recuperação duradoura e para prevenir recidivas.

Infiltrações e tratamentos avançados

Nos casos que não respondem adequadamente à fisioterapia e ao tratamento inicial, o médico pode considerar a infiltração (injeção) local. As opções incluem:

A prevenção da tendinite da pata de ganso está intimamente ligada à correção dos fatores de risco. Manter um peso corporal adequado, alongar regularmente a musculatura posterior da coxa e, principalmente, fortalecer a musculatura do quadril e do core são medidas fundamentais.

Para atletas, é crucial ter um programa de treinamento progressivo, evitando aumentos abruptos de volume ou intensidade. Avaliar a técnica de corrida com um profissional especializado e usar calçados adequados também são passos importantes.

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