Dr. Fabricio Severino

Tendinite no joelho: o que é, sintomas e como tratar

Tendinite no joelho ou tendinite patelar é uma das condições musculoesqueléticas mais comuns em consultório, especialmente entre indivíduos ativos que gostam de praticar esportes ou simplesmente andam demais.

Essa inflamação dolorosa afeta o tendão patelar, a estrutura fibrosa que conecta a patela (ou rótula) à tíbia, permitindo movimentos fundamentais como chutar, correr e saltar.

Entendendo o que é a tendinite no joelho

A tendinite no joelho ou tendinite patelar também conhecida como joelho do saltador é comum tanto em o atletas profissionais, quanto novatos em atividade física. É uma lesão por sobrecarga que envolve inflamação e microlesões nas fibras do tendão patelar.

O problema é particularmente frequente em esportes que envolvem saltos repetitivos, como vôlei, basquete e atletismo, por isso a origem do apelido. No entanto, não se restringe a atletas de alto rendimento, pois pode afetar qualquer pessoa submetida a um aumento súbito na carga de atividade física ou com fatores de risco biomecânicos.

O tendão, que possui irrigação sanguínea limitada, tem um processo de recuperação naturalmente lento. Quando submetido a esforços repetitivos ou intensos sem o devido descanso, ocorrem pequenas lesões que superam a capacidade de reparo do corpo, desencadeando um processo inflamatório doloroso.

Causas e fatores de risco de tendinite de joelho

A causa primária é a atividade física repetitiva e de alto impacto que sobrecarrega o tendão. Fatores específicos incluem:

Fases de evolução e sintomas de tendinite patelar

A condição geralmente evolui em três fases, sendo crucial o diagnóstico e intervenção precoces.

Fase inicial (Aguda): O principal sintoma da tendinite é a dor que surge após a atividade física, muitas vezes interpretada como simples fadiga. O desconforto cede com o repouso e ainda não há alterações estruturais significativas no tendão.

Fase intermediária: A dor passa a aparecer no início da atividade, melhora com o aquecimento e pode retornar ao final do exercício. Pode haver um leve inchaço localizado.

Fase crônica (avançada): Nos casos mais graves, a dor é constante e incômoda, ocorrendo durante atividades simples do dia a dia, como subir escadas, levantar de uma cadeira ou agachar. O tendão sofre alterações degenerativas (tendinopatia) e o risco de ruptura parcial ou total aumenta significativamente.

Além da dor localizada abaixo da patela, outros sinais comuns são: sensibilidade ao toque no tendão, sensação de rigidez (especialmente pela manhã ou após longos períodos de inatividade) e, ocasionalmente, inchaço.

Diagnóstico de tendinite no joelho

O diagnóstico inicia-se com uma consulta médica detalhada e exame físico, onde o especialista pode identificar o ponto exato da dor através da palpação e de testes de resistência.

Além disso, exames de imagem são frequentemente solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão. A ressonância magnética é particularmente valiosa por fornecer imagens detalhadas dos tecidos moles, mostrando o grau de inflamação, degeneração ou presença de micro-rupturas no tendão patelar.

A ultrassonografia e radiografias também podem ser úteis em contextos específicos.

Abordagem para o tratamento da tendinite no joelho

Felizmente, a grande maioria dos casos responde bem a abordagens não cirúrgicas. Os sintomas e tratamento andam juntos, de forma que cada caso clínico tem uma abordagem distinta de acordo com a gravidade.

O tratamento da tendinite segue um protocolo escalonado:

Tratamentos conservadores (iniciais)

Esta é a primeira linha e mais eficaz para a maioria dos pacientes. Inclui:

Repouso: Modificar ou suspender temporariamente as atividades que desencadearam a dor pode ajudar na melhora.

Gelo: Aplicação local por 15-20 minutos, várias vezes ao dia, para controlar a inflamação e a dor.

Medicações: O uso de anti inflamatórios não esteroides (AINEs) pode ser prescrito por um curto período para controle da dor e inflamação aguda. É crucial usar esses medicamentos anti-inflamatórios sob orientação médica.

Fisioterapia especializada: O pilar fundamental da recuperação. Um programa personalizado foca em:

Tratamentos intervencionistas

Se os métodos conservadores não forem suficientes, outras opções podem ser consideradas:

Infiltração com plasma rico em plaquetas (PRP): Utiliza fatores de crescimento do próprio sangue do paciente para estimular a regeneração do tecido tendíneo.

Infiltração com corticosteroides: Usada com extrema cautela e em casos específicos, pois o uso repetido pode enfraquecer o tendão.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é reservada apenas para casos mais graves que não responderam a pelo menos 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido, ou para situações de ruptura tendinosa completa.

As técnicas variam desde o desbridamento (limpeza) do tecido degenerado até procedimentos de reconstrução.

Prevenindo a tendinite no joelho

A boa notícia é que é possível prevenir a tendinite patelar com hábitos inteligentes:

A tendinite patelar é uma condição tratável, e seu manejo bem-sucedido depende de um diagnóstico preciso e de uma abordagem disciplinada centrada na reabilitação. Entender quais são os sintomas iniciais e buscar ajuda profissional precocemente é o passo mais importante para uma recuperação rápida e completa.

Lembre-se de que o tratamento da tendinite mais eficaz é aquele que combina paciência, fortalecimento orientado e mudanças inteligentes na rotina de atividade física, permitindo que você retome seus movimentos com saúde e segurança.

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