Tendinite no joelho ou tendinite patelar é uma das condições musculoesqueléticas mais comuns em consultório, especialmente entre indivíduos ativos que gostam de praticar esportes ou simplesmente andam demais.
Essa inflamação dolorosa afeta o tendão patelar, a estrutura fibrosa que conecta a patela (ou rótula) à tíbia, permitindo movimentos fundamentais como chutar, correr e saltar.
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Entendendo o que é a tendinite no joelho
A tendinite no joelho ou tendinite patelar também conhecida como joelho do saltador é comum tanto em o atletas profissionais, quanto novatos em atividade física. É uma lesão por sobrecarga que envolve inflamação e microlesões nas fibras do tendão patelar.
O problema é particularmente frequente em esportes que envolvem saltos repetitivos, como vôlei, basquete e atletismo, por isso a origem do apelido. No entanto, não se restringe a atletas de alto rendimento, pois pode afetar qualquer pessoa submetida a um aumento súbito na carga de atividade física ou com fatores de risco biomecânicos.
O tendão, que possui irrigação sanguínea limitada, tem um processo de recuperação naturalmente lento. Quando submetido a esforços repetitivos ou intensos sem o devido descanso, ocorrem pequenas lesões que superam a capacidade de reparo do corpo, desencadeando um processo inflamatório doloroso.
Causas e fatores de risco de tendinite de joelho
A causa primária é a atividade física repetitiva e de alto impacto que sobrecarrega o tendão. Fatores específicos incluem:
- Aumento repentino na intensidade, frequência ou duração dos treinos.
- Falta de preparo físico ou retorno intenso ao esporte após um período de sedentarismo.
- Músculos enfraquecidos, principalmente o quadríceps (coxa) e os estabilizadores do quadril, que transferem mais carga para o tendão.
- Técnica inadequada durante a prática esportiva.
- Fatores biomecânicos, como desalinhamentos nos joelhos (varo ou valgo), diferenças no comprimento dos membros ou pés planos.
- Superfícies duras de treino e calçado esportivo inapropriado.
- Excesso de peso corporal, que aumenta a carga sobre os membros inferiores.
Fases de evolução e sintomas de tendinite patelar
A condição geralmente evolui em três fases, sendo crucial o diagnóstico e intervenção precoces.
Fase inicial (Aguda): O principal sintoma da tendinite é a dor que surge após a atividade física, muitas vezes interpretada como simples fadiga. O desconforto cede com o repouso e ainda não há alterações estruturais significativas no tendão.
Fase intermediária: A dor passa a aparecer no início da atividade, melhora com o aquecimento e pode retornar ao final do exercício. Pode haver um leve inchaço localizado.
Fase crônica (avançada): Nos casos mais graves, a dor é constante e incômoda, ocorrendo durante atividades simples do dia a dia, como subir escadas, levantar de uma cadeira ou agachar. O tendão sofre alterações degenerativas (tendinopatia) e o risco de ruptura parcial ou total aumenta significativamente.
Além da dor localizada abaixo da patela, outros sinais comuns são: sensibilidade ao toque no tendão, sensação de rigidez (especialmente pela manhã ou após longos períodos de inatividade) e, ocasionalmente, inchaço.
Diagnóstico de tendinite no joelho
O diagnóstico inicia-se com uma consulta médica detalhada e exame físico, onde o especialista pode identificar o ponto exato da dor através da palpação e de testes de resistência.
Além disso, exames de imagem são frequentemente solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão. A ressonância magnética é particularmente valiosa por fornecer imagens detalhadas dos tecidos moles, mostrando o grau de inflamação, degeneração ou presença de micro-rupturas no tendão patelar.
A ultrassonografia e radiografias também podem ser úteis em contextos específicos.
Abordagem para o tratamento da tendinite no joelho
Felizmente, a grande maioria dos casos responde bem a abordagens não cirúrgicas. Os sintomas e tratamento andam juntos, de forma que cada caso clínico tem uma abordagem distinta de acordo com a gravidade.
O tratamento da tendinite segue um protocolo escalonado:
Tratamentos conservadores (iniciais)
Esta é a primeira linha e mais eficaz para a maioria dos pacientes. Inclui:
Repouso: Modificar ou suspender temporariamente as atividades que desencadearam a dor pode ajudar na melhora.
Gelo: Aplicação local por 15-20 minutos, várias vezes ao dia, para controlar a inflamação e a dor.
Medicações: O uso de anti inflamatórios não esteroides (AINEs) pode ser prescrito por um curto período para controle da dor e inflamação aguda. É crucial usar esses medicamentos anti-inflamatórios sob orientação médica.
Fisioterapia especializada: O pilar fundamental da recuperação. Um programa personalizado foca em:
- Exercícios de fortalecimento.
- Alongamento da musculatura posterior da coxa e da banda iliotibial.
- Fortalecimento do quadríceps, glúteos e core (região central do corpo).
- Correção de desequilíbrios musculares e orientação sobre técnica de movimento.
Tratamentos intervencionistas
Se os métodos conservadores não forem suficientes, outras opções podem ser consideradas:
Infiltração com plasma rico em plaquetas (PRP): Utiliza fatores de crescimento do próprio sangue do paciente para estimular a regeneração do tecido tendíneo.
Infiltração com corticosteroides: Usada com extrema cautela e em casos específicos, pois o uso repetido pode enfraquecer o tendão.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia é reservada apenas para casos mais graves que não responderam a pelo menos 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido, ou para situações de ruptura tendinosa completa.
As técnicas variam desde o desbridamento (limpeza) do tecido degenerado até procedimentos de reconstrução.
Prevenindo a tendinite no joelho
A boa notícia é que é possível prevenir a tendinite patelar com hábitos inteligentes:
- Aquecimento e alongamento: Sempre prepare a musculatura antes do exercício e alongue-se ao final.
- Progressão gradual: Aumente a intensidade, duração e frequência dos treinos de forma lenta e progressiva (a regra dos 10% por semana é uma boa referência).
- Fortalecimento global: Incorpore exercícios que fortaleçam não apenas o quadríceps, mas também os isquiotibiais, glúteos e a musculatura do core.
- Técnica adequada: Busque orientação profissional para aprimorar a técnica do seu esporte.
- Escolha do equipamento: Use tênis adequados ao seu tipo de pisada e à modalidade praticada.
- Descanso e recuperação: Respeite os períodos de descanso entre os treinos, pois é neles que o corpo se adapta e se fortalece.
- Escute seu corpo: Não ignore a dor. O desconforto persistente é um sinal de que é necessário reduzir a carga e buscar avaliação.
A tendinite patelar é uma condição tratável, e seu manejo bem-sucedido depende de um diagnóstico preciso e de uma abordagem disciplinada centrada na reabilitação. Entender quais são os sintomas iniciais e buscar ajuda profissional precocemente é o passo mais importante para uma recuperação rápida e completa.
Lembre-se de que o tratamento da tendinite mais eficaz é aquele que combina paciência, fortalecimento orientado e mudanças inteligentes na rotina de atividade física, permitindo que você retome seus movimentos com saúde e segurança.
